História do Sorvete .::
   
Já pensou que tortura se existisse horário marcado para degustar um delicioso sorvete? Claro que nós da Gela Goela não vamos fazer essa crueldade com você, mas era exatamente isso que acontecia no Rio de Janeiro nos idos de 1835 quando não havia. meios de conservar o sorvete depois de pronto. O jeito, então, era marcar hora de servir a guloseima. E os cariocas, coitados, tinham que vigiar os ponteiros do relógio para não perder o horário de provar a novidade gelada que vinha ganhando o mundo.

Mas para quem pensa que sorvete é só uma maravilha refrescante não imagina que ele entrou para a história, também, por quebrar alguns paradigmas. E como foi isso? Ah, é que naquela época as mulheres eram proibidas de freqüentar bares, cafés e confeitarias, mas por uma boa taça de sorvete elas “chutaram” o balde e engrossavam as fileiras em frente as sorveterias. Quem diria o sorvete, no Brasil, chegou a ser considerado o precursor do movimento de liberação feminina!

E uma mulher em especial, a norte-americana Nancy Johnson ganhou destaque na história do sorvete pela genialidade de inventar, em 1846, um congelador que funcionava com uma manivela que, quando girada manualmente, agitava uma mistura de vários ingredientes. A tal invenção foi a precursora das primeiras máquinas industriais de sorvete.

Mas vamos aos primórdios dos primórdios, começando pela origem da palavra sorvete. “Sorvete” é uma palavra de origem árabe, vem de xarab, que depois os turcos mudaram para xorbet. Mas antes que a guloseima fosse batizada pelo nome que conhecemos hoje, devemos aos chineses a idéia de misturar neve, suco de frutas e mel. Isso há 3 mil anos.

Roteiro do sorvete

Ao ler essa matéria você já deve está com água na boca, morrendo de vontade de deliciar um super sorvete, não é? Mas isso não é problema. É só dá um pulinho na Gela Goela e matar seu desejo. Difícil é acreditar o quanto essa guloseima percorreu para chegar até nós. Então vamos lá.

Depois de inventado pelos chineses, o sorvete foi parar na Europa pelas mãos de Alexandre, o Grande. Na receita do “Conquistador”, uma mistura de salada de frutas embebida em mel e resfriada em potes de barro guardados na neve.

Mas foi em 1292 que o sorvete começou a tomar a forma daquele que conhecemos hoje, quando o viajante italiano Marco Pólo voltou ao seu país de uma viagem à China cheio de novidades: introduziu por lá o arroz, o macarrão e o sorvete feito com leite. A partir daí o sorvete começou a ser muito consumido em toda a Itália e até hoje o sorvete italiano é reconhecido como um dos melhores do mundo. E por falar em melhor sorvete, não esqueça que o melhor sorvete da cidade, você encontra na Sorveteria Gela Goela, viu?

Da Itália, o consumo do sorvete espalhou-se por toda a Europa até que os ingleses o levaram para os Estados Unidos, país que, atualmente é o que mais fabrica e consome sorvetes no mundo, além de ter inserido no cardápio global o sundae, a banana split e o Milk shake, três receitas símbolos da cultura do país. Foi lá que dois fatores contribuíram para tornar o sorvete mais popular. O primeiro foi a abertura da primeira fábrica de sorvetes, criada em 1851, pelo leiteiro Jacob Fussel, em Baltimore; o segundo foi a invenção da refrigeração mecânica (geladeira) e aqui nossos agradecimentos a Nancy Jonhson, a pioneira. Valeu menina!

Onde existe história, há estórias e, claro, lendas, mitos contos e tudo o mais. E eles são aceitos pelos grandes gourmets ao redor do planeta. Imagine que até o imperador Nero, aquele acusado de pôr fogo em Roma, para esfriar a cuca de vez em quando mandava seus escravos buscar neve nas montanhas para fazer seu sorvetinho. Dizem os pesquisadores que os serviçais que chegavam ao palácio com a neve derretida eram sentenciados à morte. Fala sério!

Ôba, o sorvete chega ao Brasil!

Depois de toda essa trajetória eis que finalmente o sorvete chega ao Brasil. A primeira sorveteria brasileira nasceu em 1835, quando um navio americano aportou no Rio de Janeiro com 270 toneladas de gelo. Dois comerciantes compraram o carregamento e passaram a vender sorvetes de frutas. No início o gelo era envolto em serragem e enterrado em grandes covas para que não derretesse. Ele chegava a durar cinco meses, tempo suficiente para que os sorveteiros mantivessem na população carioca o gosto pelo sorvete. Na época não havia como conservar o sorvete gelado. Mas essa estória nós já contamos lá no início.

Evoluindo a passos curtos, o sorvete só teve distribuição no país em escala industrial em 1941, quando foi fundada na cidade do Rio de Janeiro a U.S. Harkson do Brasil, nos galpões alugados da falida fábrica de sorvetes Gato Preto. Seu primeiro lançamento, já com o selo Kibon, foi o Ski-bon. Desde então, a população foi se tornando cada vez mais adepta da guloseima: dados recentes apontam que o país consome cerca de 200 mil toneladas de sorvete por ano.

Enquanto o Dia Nacional do Sorvete, nos Estados Unidos, é comemorado no dia 14 de julho, no Brasil o sorvete é celebrado em 23 de setembro, data instituída pela Associação Brasileira das Indústrias de Sorvete. A data também marca o início da primavera e o aumento das vendas da iguaria.

E então, o que você está esperando para correr para Gela Goela e saborear o seu sorvete favorito? Afinal, depois desse relato você também vai querer fazer parte dessa história, não vai?

   
 
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